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BRASIL
Mundo
pós-moderno venera santíssima trindade econômica
SÃO
LEOPOLDO, 24 de outubro (ALC) – O neoliberalismo, a tecnologia e a globalização
são a santíssima trindade da era pós-moderna, que expande seus tentáculos pelos
meios de comunicação de massa para o domínio cultural do mundo, disse a
vice-reitora acadêmica da Universidade de Tijuana, Martha Nélida Ruiz Uribe, do
México.
Ruiz
Uribe proferiu palestra na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) na
quinta-feira, 19, a convite do curso de Ciências Sociais. “Trata-se de um
processo cultural, de exportação da cosmovisão dos estadunidenses para o resto
do mundo sobre a maneira de ver a vida”, afirmou a professora, que tem doutorado
em Comunicação pela Universidade de Havana.
Os
Estados Unidos tentam impor um sistema de valores e consumo do “America way of
life made in Hollywood” para a instauração de uma nova ordem econômica
trabalhista internacional, assinalou a pesquisadora mexicana.
Trata-se
de um modelo corporativo supranacional liderado pelos Estados Unidos, que
pretende dividir o mundo em diversas categorias de países, desde países escravos
e os em vias de extinção, até países industriais e maquiadores de
produtos.
Nessa
nova ordem a América Latina entra no bloco dos países maquiadores, que ficam com
a tarefa de montar produtos com peças e artigos vindos de outras partes do
mundo.
O
sistema promovido pela santíssima trindade da pós-modernidade promove o
hiperconsumo. “Já não estamos consumindo realidade, mas representações
simbólicas, e isso é ilimitado”, denunciou a vice-reitora acadêmica da
Universidade mexicana.
A
educação é um importante setor ao qual o sistema procura recorrer para impor os
seus propósitos. Isso se dá no corte de recursos públicos para a educação, na
instalação de uma nova cultura educativa-empresarial que favorece a competência,
a competitividade e a criação de um discurso desideologizado e puramente
racional.
Nélida
Uribe prevê o surgimento de uma nova geração de seres humanos despolitizados,
individualistas, competitivos, resignados aos ditames do mercado, e o
aparecimento de um exército de reserva intelectual.
A
pesquisadora mexicana apontou as contradições que esse sistema traz implícito.
Se os Estados Unidos são ultraliberais na economia, são, em contrapartida,
ultraconservadores no social. Outro paradoxo é que a tecnologia poupa tempo ao
mundo produtivo, enquanto que as pessoas envolvidas no mercado formal não têm
tempo para nada, além do trabalho.
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